Por que razão nos tornámos meros peões?

 

   Observa-se frequentemente no indivíduo moderno uma tendência para complicar o que deveria ser simples. Perdemo-nos em pormenores irrelevantes, preocupamo-nos mais com os outros do que connosco, e, em muitos casos, deixamos escapar o controlo sobre as nossas próprias vidas. Como chegámos a este ponto?


   O fenómeno da implicância individual alastrou-se como uma erva daninha. Hoje, somos confrontados com uma sociedade repleta de "NPCs" (Non-Playable Characters) - pessoas que se perdem em actividades pouco produtivas, que se limitam a seguir as instruções da sociedade e da elite, negligenciando a sua própria evolução. Em vez de lerem, estudarem - sempre com pensamento crítico e consciente - ou dedicarem-se a actividades físicas e intelectuais, entregam-se à procrastinação, à promiscuidade e à filosofia superficial "YOLO" (You Only Live Once).


   Contudo, será esta preocupação com os outros, a nível colectivo, totalmente condenável? De modo algum. Uma sociedade coesa exige um certo grau de vigilância mútua e preocupação com o próximo. A civilização, as leis e as regras funcionam precisamente porque somos um ser que vive em sociedade, pelo que em certa medida, interessamo-nos pelo que os outros fazem, e, influenciamos no que o próximo pode ou não fazer. As acções de um indivíduo podem, afinal, afectar o próximo, quer directa, quer indirectamente. Seríamos capazes de coexistir se cada um de nós vivesse unicamente para si?


 
   Porém, não devemos esquecer o valor da introspecção e do auto desenvolvimento. Voltemo-nos para os antigos gregos, aqueles filósofos que, através de actividades de introspecção, do pensamento crítico e debates em fóruns, aspiravam ao aperfeiçoamento constante deles mesmos como indivíduos e como sociedade. Compreenderam a importância de equilibrar o interesse próprio com a responsabilidade colectiva. 
 

   O indivíduo, ao invés de ser um mero peão na sociedade, constitui uma parte vital da mesma. As suas acções, objectivos e ambições têm o potencial de a influenciar. Encontrar o equilíbrio entre o crescimento pessoal e o bem comum é o verdadeiro desafio.

 
   Evitemos a entropia social. Reservemos algum tempo para nós próprios, sem perder de vista o panorama geral. Procuremos o crescimento individual, sem descuidar o papel que desempenhamos na sociedade.
 

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