A Não Existência


Representação do multiverso e do nada à volta do mesmo. Bolhas com universos lá dentro, a fluctuar num multiverso com imenso vazio.

O Desafio de Imaginar o Nada

   Já tentou evitar o pensamento durante algum tempo? A questão que coloco não é a de tentar descansar ou dormir, mas sim o exercício de tentar não observar, não processar os estímulos externos, não imaginar, não lembrar, não pensar... é a ausência do pensamento ou a "presença" de vácuo na mente, enquanto acordado e consciente. Uma tarefa aparentemente simples, mas que rapidamente se torna num labirinto mental enquanto se esforça. As palavras, as imagens das memórias e as ideias surgem inopinadamente, seja por impulso interior ou exterior à mente. 

Mulher sentada de papel branco, a olhar para uma folha branca que tem na mão, numa sala branca cheia de papeis brancos na parece, com raizes brancas interligando os vários papeis.

   Depois de se insistir muito, a tentativa de alcançar o vazio mental torna-se numa busca frustrante. A pergunta persiste: "Como seria experienciar um vazio profundo e verdadeiramente nulo na minha consciência, mesmo que por um instante?"

Representação do eu no nada, do ego num vácuo. Um homem no meio de um oceano vermelho, ondas circulares com o ponto de origem no nele. Céu bastante nublado.


Meditação: Um Silêncio Complexo, Não um Vácuo Mental

   É comum associar a meditação a uma forma de vazio mental ou ausência de pensamento, e alguns podem até argumentar que isso contraria a ideia de que o "nada" é inacessível à mente humana. No entanto, é importante distinguir que a meditação não representa um vácuo mental absoluto. 

Mulher a meditar, cabeça erguida para o céu estrelado, símbolo mítico holográfico a levitar no céu - Imagem gerada por AI - MidJourney

   A meditação é uma prática consciente e controlada que envolve foco, atenção e muitas vezes uma profunda conexão com o presente. Ainda que se possa treinar a mente para silenciar pensamentos dispersos, isso não equivale a uma completa ausência de consciência ou experiência. 

Pessoa em cima de rochas do mar, de braços abertos, a olhar para o céu estrelado enquanto medita

   Mesmo no estado meditativo mais profundo, existe uma presença, uma consciência do ser, que está longe de ser um "nada" absoluto. A meditação pode-nos levar a um estado de tranquilidade e clareza, mas não nos transporta para fora da existência ou para um estado onde a consciência desaparece totalmente. É, portanto, um silêncio complexo e profundo, mas não um vazio ou nulidade em sentido absoluto.

Homen a dormir, a fluctuar no vazio mental, nuvens, céu e gotas de água.


A Impossibilidade de Um Pensamento Vazio

   O cérebro humano é uma máquina incansável de processamento inato, uma orquestra de reações eletroquímicas. Tentar alcançar um estado de "não pensamento" é como pedir a uma orquestra que fique em silêncio, mesmo com os instrumentos em mãos, ou pedir que a ondulação do mar pare por uns instantes. Mesmo enquanto dorme e o seu cérebro entra num estado de repouso, a actividade neurológica continua embora em menor quantidade. 

Orquestra num monte rochoso, céu estrelado com nebulosas.

   O silêncio absoluto numa orquestra, ou um mar estático são uma ilusão, assim como o nada absoluto na consciência. 

Figura num solo monocromático e brilhante, à frente de um vidro ou portal vermelho mostrando umas grandes montanhas do outro lado.


O Big Bang e o Início do Nada

   O "nada" não é apenas um conceito psicológico ou filosófico. É um enigma científico. Imaginar um universo sem o Big Bang, sem início, sem tempo, sem espaço, é um desafio que desafia a lógica. O "nada" torna-se num "tudo" em problemas, e a ausência de consciência e sentido em tudo se torna numa abstração inimaginável. 

Representação quase abstracta de uma silhueta humana a visualizar o big bang a acontecer e a criar a matéria, enquanto esta está num solo gerado pelo big bang.

   Considerar um universo - um "tudo" - mas sem uma consciência observadora é também outra aberração à qual não estamos preparados para processar. Porque razão existiria um "existir" se nenhum alguém existiria para o experienciar? Neste caso, a própria existência do universo seria uma aberração só pelo facto de existir. Pela via racionalista, é justo afirmar que seria mais lógico um "nada" que um "tudo" sem entidades observadoras. 

   E com todo este raciocínio é possível afirmarmos que existimos, como verificou René Descartes na sua mítica frase Cogito, ergo sum - (Penso, logo existo). No entanto, também não é possível provar que tal "universo sem observadores" não exista...    

Representação do universo sem ninguém para o observar: Sofá sem ninguém, nuvens à volta, matéria e uma imensidade "sozinha".


A Simplicidade do Nada e a Complexidade do Tudo

   Num mundo cheio de complexidade, o "nada" é uma pausa silenciosa, uma simplicidade infinita. É o contraponto ao "tudo" que nos rodeia, ao caos, à entropia e à maravilha do universo. O "nada" é um conceito que nos convida a refletir sobre o nosso próprio ser e a natureza da existência. 

Estruturas que representam a complexidade do "tudo", e paisagem vazia que representa o "nada"


Uma Jornada Filosófica

   "O 'Nada' é infinitamente mais simples que o 'Tudo', e é a complexidade do nosso universo que o torna tão valioso." 

Labirinto filosófico. Edificios e estradas em labirinto instaladas em montanhas e rochedos muito altos.

   Interprete esta frase como um desafio para pensar no impensável e comente! Experimente este exercício, e depois pergunte-se:

   "E se o universo não existisse?"


Homem a observar uma paisagem vazia, solo rochoso e com poças de água. Céu violento.

   A resposta pode estar escondida nas profundezas da sua própria mente...

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